
ASATO é o primeiro disco de estúdio do nosso guitarrista brasileiro favorito dos últimos tempos. A ideia aqui não é contar a história de Mateus, nem tentar apresentar seu trabalho para quem ainda nunca ouviu falar dele — algo que, convenhamos, já seria difícil a esta altura, a não ser que você esteja vivendo numa bolha muito blindada, sem qualquer contato com o que tem acontecido na música nos últimos anos. Estamos falando, afinal, de um dos maiores prodígios da guitarra mundial, um talento raro, daqueles que aparecem só de vez em quando.
Depois de inúmeros singles, pequenas prévias e incontáveis momentos encantadores publicados em seu perfil no Instagram, Mateus Asato abre 2026 com o pé na porta e entrega um álbum cheio. São 15 músicas autorais inéditas. Era exatamente disso que a gente precisava — e talvez nem tivesse se dado conta. Afinal, estamos tão acostumados a viver de single em single que um álbum bem pensado, bem organizado e bem embalado acaba ocupando um lugar especial. E faz falta.
O disco começa com MA, uma introdução lenta e preguiçosa, dessas que parecem caminhar sem pressa, mas que não te preparam para a valente Outsukare!, faixa que de fato dá as boas-vindas ao álbum com uma progressão encantadora e harmônicos encaixados de maneira magistral em meio aos riffs ninjas que já são marca registrada do estilo de Mateus Asato.
Daqui pra frente, somos bombardeados por faixas rápidas, cheias de melodias lindas e frases que, se fossem cantadas, virariam refrões chiclete em qualquer banda pop da atualidade. É impressionante como a música instrumental, quando bem feita, consegue falar tanto sem dizer uma única palavra.
A caminhada segue com Rush, que mantém a pegada pop/rock inventiva já tão característica do jeito de Asato tocar. Wasted Hit entra para colocar a bola no chão e reduzir um pouco a intensidade — mas nem tanto, porque seu refrão ainda carrega uma tensão inesperada. Mellow confirma a entrada em uma nova fase do disco, mais calma e contemplativa, preparando o terreno para a já conhecida Cryin’, talvez uma das faixas mais emblemáticas de todo o trabalho. O ponto alto? Difícil dizer isso num disco tão cheio de momentos altos. Mas aqui a gente reencontra toda a engenhosidade que Asato já vinha antecipando em suas prévias nas redes sociais. A assinatura dele está toda ali.
The Breakup Song é coisa de trilha sonora de filme. Logo depois vem Time, uma faixa mais introspectiva, feita de ambiência, respiro e frases espaçadas que brincam com reverb e delay como quem realmente entende o peso do espaço e do tempo. É um daqueles casos em que o nome conversa perfeitamente com a proposta da música.
Já passamos da metade do disco quando chegamos a North, que nos recebe com uma introdução de quase dois minutos ao violão. E, quando você pensa que já entendeu a direção da faixa, leva um nocaute de um riff que chega sem pedir licença, puxando a banda inteira junto. É uma das músicas mais longas do álbum, mas daquelas que, quando terminam, fazem você querer voltar imediatamente. Belíssima progressão.
Change aponta para a reta final dessa jornada, e é fácil lembrar daqueles temas de pouco mais de um minuto que ajudaram a transformar Asato em um fenômeno da internet. Você respira fundo, pega fôlego, e então encontra Kyoto’s Jam, que nos teletransporta direto para os anos 80 com um solo matador, muito drive e flanger na medida certa. Kawaii, por sua vez, é música para ser ouvida no frio, ao lado de uma lareira, com uma taça de vinho na mão. E cá estou eu, numa tarde ensolarada, enfrentando 33 graus, dizendo isso sem nenhum constrangimento.
A trinca final fica por conta de Goodbye, HENDRIX e a charmosa too nerdy for pop for nerds, com destaque pessoal para HENDRIX, que é pura paulada.
No fim das contas, ASATO é um presente para quem gosta de música instrumental e, principalmente, para os guitarristas de plantão. Estamos assistindo, ao vivo, à consolidação de um dos grandes guitarristas de sua geração — e dá orgulho saber que ele saiu aqui do nosso quintal. Vida longa a ASATO.

