Carioca Club lotado com 1.200 pessoas para a segunda passagem da banda em SP

Banda Rodox emociona fãs com o anúncio do retorno com os “Originais”
Show do Rodox movimenta a cena hardcore do Brasil. Com agenda cheia a banda está rodando boa parte do país, lotando casas de show para a alegria de velhos e novos fãs da banda.
Um sábado de muito frio e garoa, clima típico da cidade, mas que não intimidou o público de comparecer no Carioca Club, casa de show da Zona Oeste de São Paulo. A casa que tem capacidade de lotação para 1200 pessoas ficou lotada para receber mais um show da banda Rodox.
Esta foi a segunda passagem deles em São Paulo. A primeira aconteceu no dia 10 de Abril, data que marcou o início da turnê “Originals Tour” que tem rodado às principais casas de show de hardcore do Brasil e alguns festivais como o Porão do Rock em Brasília, evento que antecedeu o show de São Paulo que aconteceu no dia 23 de maio.
Abertura com Mauro Henrique
A casa abriu às portas poucos minutos depois das 17h, a fila andou rapidamente. Na entrada estavam sendo recolhidas as doações de alimentos e roupas. O show teve abertura às 18h com Mauro Henrique que trouxe parte da sua playlist da Tour Forma, desta vez sem seu guitarrista base Victor Pradella que agora compõe o time da banda Rodox. Mauro se apresentou com o tradicional Power trio e fez um show muito pra cima como já é característica do cantor. A apresentação de Mauro Henrique teve duração de aproximadamente 45 min.
No intervalo, antes da entrada do Rodox, Chuva, do canal Chuva TV, fez aquele famoso esquenta, agitando a galera, entregando brindes até que o Rodox estivesse pronto para entrar, o que não levou mais de 20 minutos.
Rodox no palco: dois horas de hardcore puro
O Show mesmo da banda Rodox começou perto das 18:30 e foram praticamente 2h de show intenso. A banda está inteira, tocando muito bem, com uma presença de palco incrível, resultado da vontade e do profissionalismo de todos os envolvidos.
Durante o show, conversei com algumas pessoas que disseram estar bem ansiosas por este dia, um rapaz veio de Rondônia para este show. O público era uma mistura de “crentes” e “não crentes”, mas que na hora que o som rolou, não era isso que importava, todos estavam ali para ver o Rodox tocando juntos novamente.
Rodolfo Abrantes: um ícone do rock nacional
Sem dúvida, Rodolfo Abrantes é um dos ícones do rock nacional, eu o coloco na mesma prateleira que Cazuza, Renato Russo e Chorão. Na minha opinião, ele consegue até fazer uma história maior que estes artistas que foram vencidos pelo HIV ou pelas drogas. Rodolfo ao contrário, através do seu encontro com Cristo, teve sua vida transformada e hoje aos 53 anos, parece um menino no palco, agitando em todos os shows.

Os músicos: quem são e como tocaram
Uma coisa que de fato notei em todo o show, é que TODOS sem exceção estavam felizes tocando novamente. Pedro e Patrick mandando bem demais, Victor Pradella, o novato, mas conhecido da galera por ter tocado já antes com Rodolfo, quando tinha a sua banda chamada “Muro de Pedra”, depois participou da tour “ Forma” com Mauro Henrique e agora representa os fãs e curte o show de cima do palco tocando demais e somando nos vocais juntamente com Patric e Fernandão.
E como não falar do Fernandão? um baterista fora da curva. O cara parecia voar na bateria. Seu estilo pesado e preciso é incrível e ver esse cara tocar ao vivo é sem dúvida algo ímpar (e sim, ele toca sorrindo com os caras, isso é real). Fernandão, que sempre era visto de cara fechada, bruto, no show parece um cara leve que está vivendo uma transformação de vida. Longe das drogas ele diz em muitos lugares que isso só foi possível com ajuda do retorno da banda.
Rodox: Gospel ou Secular?
Este ainda é um grande debate dentro do cenário cristão, parece que temos essa necessidade de rotular algo para saber o que podemos ou não podemos consumir quando se trata de música. Mas eu me pergunto, por quê não fazemos essa distinção em tudo, se é que isso é tão importante. Comemos, vestimos, assistimos filmes e séries que na sua maioria não possuem valores cristãos, será que esse rótulo ser ou não ser “gospel” é mesmo relevante? e se for relevante para quem?
O que vi no show da Rodox foi muito rock, pessoas se divertindo, a galera gritando “Jesus” quando Rodolfo fala do que Cristo fez por ele, do quanto é importante você cuidar de si, cuidar de quem você ama, respeitar o próximo e que cada momento é único e você precisa viver da melhor forma.
Rodolfo em muitas transições de música, não “prega” como se faz nos shows denominados gospel é verdade, mas ele não deixa de falar coisas que remetem a Cristo de um jeito sutil mas ao mesmo tempo como um soco no estômago, talvez porque quem houve hardcore, tenha mais peito para ouvir suas palavras do que muitos crentes que vivem apenas apenas desfrutando de canções com “sabor de mel” ao invés de levar a cura pra quem realmente precisa.
Na minha opinião, caro leitor do Apenas Música, Rodox é o trigo no meio do joio. Rodox mostra que é possível fazer música independente se todos compartilham da mesma fé ou crença. A Maioria das letras fala do amor de Cristo, dos ensinamentos dele de um jeito muito específico e com certeza chega aos corações de muitos ali. Se Rodox é ou não gospel, não importa. Rodox não cabe em um culto, eventos ou marchas. Rodox cabe em casas de shows seculares, festivais de rock e tantos outros lugares que precisam ouvir sua mensagem.
Ouça nosso podcast sobre a volta do Rodox antes do anúncio oficial
Aproveitando que você chegou até aqui, recomendo que você ouça nosso podcast falando sobre a possível volta do Rodox gravado antes do anúncio oficial. Ficou bem legal e está disponível nas plataformas de podcast e no youtube.




