Antes de mais nada, preciso confessar que já estava morrendo de saudades da Lacey Sturm. Me considero um fã regular de Flyleaf, e a notícia de sua saída da banda logo após o lançamento de “News Horizons” foi um tanto quanto chocante; E agora? Vai pra onde? E como vai ficar a Flyleaf? Qual o sentido da vida?

Perguntas desse tipo surgiam a todo momento de todos os lados. Porque deixar a banda justamente no momento em que eles pareciam ter alcançado a maturidade esperada? Foi uma surpresa até mesmo para os que não são tão adeptos do grunge que a banda executava com propriedade. Mas a vida segue, e não demorou muito a Flyleaf também seguiu em frente; contratam uma nova vocalista e deram sequência aos trabalhos. A sequência agradou boa parte dos antigos fãs, o som continuou mais ou menos o mesmo, dos males o menor.

Pois bem, depois de alguns singles, participações especiais em outros trabalhos e muito silêncio, eis que no início de 2016 é lançado oficialmente o álbum “Life Screams“, um álbum completo com músicas autorais e com o carimbo oficial da Lacey. E então eu repito as mesmas perguntas que me fiz quando ela abruptamente resolveu deixar a banda: “Precisava mesmo? Porque? Pra que?”

E é lógico que ela não tem obrigação nenhuma de responder a nenhuma dessas questões, mas ainda sim não faz sentido deixar a banda para manter a mesma proposta sob um rótulo diferente. Sim amigos, já na primeira faixa do álbum, “Impossible“, temos um baita banho nostálgico de Flyleaf, e essa onda se mantem firme até a última faixa do álbum. É o Flyleaf de uma pessoa só, ou melhor, é a Lacey sem a Flyleaf fazendo a mesma coisa que fazia antes.

E antes que me atirem pedras, preciso reforçar uma coisa: O álbum é ótimo, as músicas são boas, letras excelentes, boas melodias, bons arranjos, um ótimo trabalho mesmo, mas definitivamente não era o que eu esperava, principalmente depois de acompanhar as participações que ela andava fazendo, eu estava esperando um novo trabalho de fato, novos horizontes (sem querer me usar de um trocadilho ordinário), novos timbres, uma nova proposta, mas não…. Poderia ser muito bem um álbum sucessor de “News Horizons” com a mesma formação na Flyleaf, sem tirar nem por uma colher de sal. Mas por algum motivo, seguir em carreira solo fez sentido pra ela, e não estou aqui querendo ser injusto, pois pouco sei sobre os tramites internos entre ela e sua antiga banda. Mas como um bom admirador de boas bandas (modestamente falando), achei um desperdício; já que ultimamente tivemos algo  parecido acontecendo em terras brasileiras e o resultado além de ser o mesmo, tem sido de certo modo decepcionante… mas isso é assunto para outro post.

Destaque meu para as seguintes faixas: Impossible, The Soldier, Vanity + Rot (que tem um interlúdio irado), a baladinha final de Run To You e um cover  despretensioso de Roxanne (The Police) gravado ao vivo.

Se é um álbum que vale a pena? Sem dúvidas! As letras são excelentes, talvez o maior destaque do trabalho. Para quem gosta do estilo que a Flyleaf já fazia, é uma ótima pedida. Agora se você esperava por muitas novidades, não é bem isso que vai encontrar.

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Sobre o Autor

“A arte vence a monotonia das coisas assim como a esperança vence a monotonia dos dias.” ― G.K. Chesterton

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  • Eric

    Quando voce diz sobre algo parecido acontecendo em terras brasileiras, está falando da banda Vocábulo Velho (nome cifrado, heheh)? Se for, concordo totalmente, foi decepcionante o trabalho solo.