Marc fazendo cosplay do Freddie.

Marc fazendo cosplay do Freddie.

Bem, se você não conhece o Marc Martel de nome, deve pelo menos lembrar da Downhere, banda na qual ele foi vocalista desde 1999. Com o fim do grupo em 2011, Martel decidiu seguir novos rumos, entre os caminhos escolhidos estava a participação nas audições da “The Queen Extravaganza”, um projeto idealizado pelo guitarrista Brian May e o baterista Roger Taylor para reunir novos talentos em homenagem ao finado Freddie Mercury.

Com o cover de “Somebody To Love” (que você vê logo abaixo), Marc Martel conseguiu, além do título de vocalista da banda, um prêmio no MTV O Awards 2 na categoria Melhor Cover de Fã e mais de 8 milhões de visualizações no canal da QueenExtravaganza no Youtube:

É inegável o link físico e vocal do Marc com o Mercury (vide a imagem lá do começo do post) e, diante de tal imagem e semelhança, os crentes piraram. Desde o vídeo cover em 2011, muita gente tem dito que Martel se desviou e até que o desejo de fazer parte do Extravaganza foi o motivo para o fim da Downhere. O fato é que Martel tem feito um sucesso absurdo com a banda, ao ponto de, mesmo com o final da turnê com o novo grupo, ele ainda é convidado para apresentações como a “Freddie For a Day 2012”, em Londres, a fim de arrecadar grana para a organização criada pelo ex-vocalista para tratar de vítimas da Aids.

O que tem complicado o meio de campo para muitos é o suposto fato do Marc estar apoiando uma banda ‘secular’, de um vocalista homossexual. Algo bem fora do “padrão” evangélico. Contudo, a bola da discussão também corre para o outro lado do campo, afinal o cara é músico. Além de cantor, o ex-Downhere é multi-instrumentista o que, de certa forma, lhe dá o direito de exercer sua profissão seja onde for.

A postura e os atos de Martel acabam reacendendo a velha discussão entre santo, secular e profano e o relacionamento do cristão com essas três esferas. É fato, que esse assunto nem sempre é bem discutido nas igrejas e, por isso, a geral acaba sofrendo com uma enxurrada de interpretações bíblico-teológicas ou tradições religiosas. Enquanto o bate-boca rola, Martel e outros crentes chegaram a tocar dentro da Renaissance Church, em New Jersey, um baita clássico da Queen (para loucura de uns e aplausos de outros):

Em meio a discussão, uma coisa podemos tirar como certa: Marc Martel é muito talentoso. Como se não bastasse, recentemente ele resolveu mostrar mais um pouco das suas habilidades em “The Mercurotti”, um dueto imaginário entre Freddie Mercury e Luciano Pavarotti feita para a versão de “Nessun Dorma” (da ópera Turandot, de Giacomo Puccini) e gravada em um único take:

A história não termina aqui. No ano passado, Marc lançou o álbum “Impersonator” (ironicamente,”Imitador”), seu primeiro álbum solo completo com muita influência da Queen e de um porrada de outras referências do rock. A crítica curtiu esse trabalho, por mostrar não só seu talento à sombra de Mercury e outros rockstars, mas devido a capacidade criativa das suas interpretações.

O "imitão"

O “imitão”, lançado em 30 de setembro de 2014 pela Be Music and Entertainment.

 

Em entrevista, Marc explica que seu novo álbum explora as tensões criadas por um artista que reivindica o seu direito de ganhar a visibilidade através da personificação de um outro artista (bem aquilo que a gente falou lá em cima).”Esse é o tipo de álbum que fala sobre o fato de ter que ser todas as coisas para todas as pessoas e ainda ser eu mesmo”, conta o cantor.

Enfim, em meio a tantas opiniões, o que você acha disso tudo? 🙂

 

 

 

Com infos da Rolling Stone | Queen Lives | New Release Tuesday | Rock Review | Gospel Mais | Só Notícia Boa | Whiplash | Jesus Freak Hideout

Sobre o Autor

Modernizar o passado é uma evolução musical. (8)

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  • Anderson Butilheiro

    Sempre achei a voz do Marc incrível e aprecio demais o tempo dele com o Downhere. Mas nunca tinha feito essa associação com Queen e agora eu percebo o quanto realmente o estilo dele, o timbre da voz e etc, lembra o Freddie Mercury. Não vou entrar no mérito da discussão sobre o que ele tá fazendo, mas direi que “Bohemian Rhapsody” ficou animal.

  • Eu acho que não tem nada que ficar criticando o cara (que aparentemente é SUPER talentoso) só porque ele tá envolvido com uma banda “secular” cujo vocalista era “homossexual”. Isso mostra o quanto essa coisa de “gospel” e “do mundo” ainda tá arraigada na cultura evangélica aqui do Brasil e sinceramente é algo que me deixa bem irritada pois essa divisão simplesmente não existe. Não existe música “de Deus” e música “do mundo”, Jesus não morreu pelas suas músicas nem pelos seus CDs. Não existe isso de o Marc ter se desviado por fazer covers do Freddie Mercury e acima de tudo: quem sabe da vida dele com Deus é ele e apenas ele.

    Acho que a cultura evangélica brasileira ainda precisa amadurecer muito, mas muito MESMO em termos de música. Ela precisa entender que música é algo neutro, não “diabólico” por natureza e por isso a gente precisa selecionar SÓ o que for “gospel”. Ela precisa entender que só existe uma divisão na música: música de qualidade e música ruim, e isso vai além de religião, crença, fé e todas essas coisas que nada têm a ver com a liberdade para a qual Cristo nos chamou.