Estêvão Queiroga

Capa do álbum de Estêvão Queiroga, Diálogo Número Um

Estêvão Queiroga – Diálogo Número Um

Conheci o som do Estêvão como muita gente através do clipe de “A Partida e o Norte” que, por sinal, é muito bonito e bem produzido. Contudo, a sonoridade não faz o meu estilo. Óbvio que o som não é ruim. Longe disso. Só, de fato, não é minha praia. Acho um tanto sonífero. Mas eis-me aqui, me atrevendo a falar sobre o seu disco de estreia. Mas antes, um salve para essa capa linda (fotografia do Janssem Cardoso)!

Por estar tanto no hype, resolvi conferir o disco completo e acabo me encantando com a Toada de Dedé. Que brasilidade! Fiquei profundamente maravilhado com a simplicidade e profundidade dessa abertura.

Seguindo o espírito da abertura, Corre Atrás do Vento traz a batida regional típica dos grandes nomes da música cristã nacional.

A partida e o Norte cai no folk “slow motion” com uma letra interessante, mas que, particularmente, não me prende até o final. Injetando um pouco de ânimo, O Sol e Eu é bem bacaninha e ensolarado. A sanfona/acordeon/escaleta (ou alguma coisa do tipo) marca presença fazendo uma sonoridade acolhedora, mas que também não me faz ouvir até o fim.

Mais uma Porta traz um ar sofisticado com seu piano/teclado para uma letra emocionante. Bacana ver a versatilidade do Estêvão. Se For Com Você (Pode Ser) vai para aquele folk/pop romântico que pessoalmente dispenso.

O Preço do Amor é muito interessante. Envolvente desde a introdução, ela mostra um lado R&B/Soul/Black do Queiroga com grande primor. Até aqui, a minha preferida. Muito consistente!

Quem Sou Eu? despenca numa profundidade que parece que você está ouvindo outro disco. Bem distante da brasilidade inicial e o folk marcante, o cantor investe no estilo da faixa anterior em uma letra bastante confessional calcada num tipo de Blues. Altíssimo nível!

Com base no violão, Bom e Mau fala sobre a dualidade dos nossos atos e a veracidade da vida. A atenção da canção vai para a história contada pela letra. É uma faixa para parar e prestar atenção.

É Isso: De ritmo bem lento, ela confessional, simpática, nada mais.

Agora o cara para tudo quando O Que Será começa a tocar. Que canção é essa? Com silêncio profundo, ouço essa oração e me identifico de forma muito profunda. Parece que foi extraída da mais pura sinceridade pecadora. Uma pérola em 5:42 bem desenvolvidos.

Quebrando o clima da faixa anterior, Estêvão Queiroga encerra seu disco com a alegria de Nós. Cantando sobre as dádivas da comunhão, o cantor confirma sua versatilidade e entrega ao público um disco de alta qualidade no meio cristão. Parabéns, man! E parabéns ao Leonardo Gonçalves pela produção. 😀

 

Sobre o Autor

Modernizar o passado é uma evolução musical. (8)

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  • O que você chama de “versatilidade” eu chamo de “artista perdido”. Resumindo, deram um banho de loja nele, investindo na música de mais apelo criativo — no sentido de ser um ponto fora da curva do que o mercado oferece. O disco, em geral, parece um trabalho genérico de MPB, com pitadas de coisas pouco agradáveis, como Jorge Vercilo, Fábio Jr, etc. Decepção. Começa muito bem nas três primeiras faixas, mas depois é só ladeira abaixo.

  • Janssem Cardoso

    Obrigado pelo elogio da capa Baruque! 😉