NF

Em algum momento da vida todos nós passamos por alguma quebra de conceito, seja lá em qual âmbito for. Tem sempre aquele algo, ou alguém, que defendíamos não gostar a todo custo e só mudamos nossa mente quando decidimos experimentar ou dar uma chance definitiva. Às vezes criamos essas barreiras desnecessárias e sabe-se lá Deus o porquê.

Eu não gostava de agrião porque achava que era amargo, já hoje é uma das minhas verduras favoritas. Eu sempre aleguei que não gostava de Friends porque o papel da Courtney Cox em Pânico (que é uma das personagens mais deliciosamente detestáveis de toda a geração que cresceu vendo filmes slasher) ia se repetir na série. Quebrei tanto minha cara que já hoje eu tenho o box com as dez temporadas do seriado e consegui mais devotos para o sexteto de Manhattan.

Através dessa postagem de nome estranho, quero propor algo aqui: a série Fora da caixa. Compartilharei com vocês três artistas, com segmentos diferentes e os quais eu não costumo ouvir, e minha opinião em relação a eles. Resumindo, vou provar pra vocês o como faz bem pensar um pouco fora da caixa de vez em quando. Afinal, não custa nada além de um fone de ouvido.

Quem vem representando hoje é o rap e hip hop que de longe são os estilos que mais abominei em toda a minha vida. O motivo? Sempre achei que todos eles sofriam da grande Síndrome de Creed que é aquela famosa questão onde todas as canções são muito parecidas uma com a outra. Sempre gostei de originalidade, experimentação, talvez seja por isso o alternativo o estilo que mais me identifico. Ah, eu poderia dizer Síndrome de Abandon Kansas, mas… mas…

Continuemos: NF é o nome artístico para Nathan John Feuerstein, um michigano de 25 anos que começou a fazer música lá em 2010, mas só teve o reconhecimento merecido quatro anos depois, quando lançou seu primeiro self-title EP em 2014. Aliás, quero deixar bem claro que eu não entendo muito de rap, apenas de música boa e a desse cara é extremamente muito boa. Nessa concordância errada de adjetivos mesmo.

NF

NF

Vocês já ouviram falar em Eminem, certo? Aquele cara magricela que bombou no começo dos anos 2000 com canções de cunho não tão propício para o horário nobre, que você quase não entendia o que ele falava. Pois bem, eu diria que o NF lembra muito, mas muito o autor de “Lose Yourself” e “Mockinbird”. E por favor, não está nada relacionado com as características físicas, mas a maneira de cantar, o beat (termo que aprendi para escrever esse artigo e estou orgulhoso por isso) e toda a carga emocional e dramática presente nas letras de ambos.

Claro que por ser cristão e mesmo não tendo a necessidade de levantar essa bandeira (coisa muito normal na terra do Tio Sam), o conteúdo das canções é rico e diversificado. Elas passeiam entre devoções de fé, questões cotidianas, circunstâncias pessoais vividas pelo rapper e assim a gente continua o etecétara. Por exemplo, na canção “Real” ele aborda todo o preconceito que sofreu por querer fazer música num clipe maneirinho dentro de um avião após um acidente aéreo. Já “How Could You Leave Us”, uma das faixas de destaque do último álbum lançado esse ano, Therapy Session, pode ser considerada um desabafo real sobre como ele se sente em relação a sua mãe, vítima de uma overdose em 2009. Essa música é de arrepiar. Sério, escutem.

O que eu acho bacana é que ele foge um pouco dos padrões e moldes convencionais. As músicas não sofrem da Síndrome de Creed e divergem bem entre melodias e temáticas. Acho isso lindo e inteligente e fez com que o rap/hip hop entrasse bem nos meus conceitos.

E, pasmem, o NF canta. E canta relativamente bem como pode ser visto em “Can You Hold Me” em parceria com a Britt Nicole. Além disso, o rapper tem parcerias muitos boas nos dois discos lançados, que vão de Fleurie, Britt Nicole, Jeremiah Carlson, Jonathan Thulin, entre outros. E dica: a música com a Fleurie que é bem conceituada aqui no Apenas Música é a cereja do bolo. Ouçam.

Essa é a primeira parte da série Fora da caixa e estou muito intrigado, no sentido bom, de compartilhar com vocês as minhas novas descobertas. Definitivamente, 2016 tem como lema um ano em que nos descobriremos ecléticos e confie, a surpresa é melhor do que você imagina.

 

 

 

Sobre o Autor

John Perkins disse certo: O amor é a luta final.

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